COMO TRABALHAR REPERTÓRIO

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É lógico e esperado que a maioria dos alunos decidam estudar um instrumento com o objetivo de  tocarem determinadas músicas. Essa motivação continua durante o processo e merece grande atenção de nós professores.

Neste post, 4 bons professores da Pontuada compartilham suas reflexões e práticas sobre o trabalho de repertório com seus alunos. Qual música escolher? Começar quando? Como estudar as músicas? Erudita ou Popular? Quem escolhe?…

Thiago           Thiago Camargo (Piano, Sanfona):

 Creio que um dos grandes fatores que fazem as pessoas sentirem vontade de tocar um instrumento musical é a atuação de algum músico em especial ou alguma música em que o instrumento escolhido se destaca, sendo assim o “fazer música” deve ser sempre o foco principal da aula para que o aluno não perca o entusiasmo e a vontade de tocar, tanto quanto as pessoas que o inspiraram.

Com base nisto, gosto de trabalhar trechos musicais desde a primeira aula, começando com uma melodia simples porém conhecida do aluno, afim de propiciar um primeiro contato com o instrumento de forma bem prática. À partir desse ponto inicio com os exercícios, que devem ser claramente ligados à produção musical, portanto tento fazer o aluno entender os exercícios como sendo facilitadores diretos do resultado musical.

Seguindo essa dinâmica mantenho a escolha do repertório sempre com base em um padrão:

 

1º Procuro saber quais musicas o aluno ouve e então retiro pequenos trechos da música para começarmos à estudar e sigo com esse trabalho durante as aulas seguintes até aprontar a música ou os trechos escolhidos para serem estudados.(Se o trecho for muito difícil, eu faço um arranjo facilitado para que o aluno consiga tocar com a gravação)

2º Afim de unir os conhecimentos, elaboro alguns exercícios utilizando os trechos musicais, transformando-os em padrões, para que o aluno entenda claramente o uso dos exercícios de técnica e seu resultado na execução musical.

3º Gravo os trechos para que o aluno possa ter uma referência e tocar junto com o áudio ou vídeo.

 

Junto à esse trabalho, mantenho também o ensino com métodos mais tradicionais, como exercícios gradativos de leitura e repertório pré-concebido, com foco no aprendizado técnico.

Acredito que mantendo estas duas frentes de trabalho, métodos tradicionais + repertório familiar, o aluno se sinta mais motivado em relação ao estudo e compreenda melhor a real relação e importância entre os estudos técnicos e a concretização do produto final, a música.

Dhieego blog         Dhieego Andrade (Bateria e Coordenação):

Há um grande consenso entre os estudiosos da performance musical acerca das Três Ações Básicas no processo de aprendizagem de uma nova peça:

1 – escuta/leitura geral da peça verificando trechos de maior dificuldade;

2 – prática isolada desses trechos em diferentes andamentos – normalmente do mais lento para um mais rápido;

3 – reintegração desses trechos ao todo da peça;

Muitas tecnologias foram utilizadas no intuito de dar suporte a estas Três Ações. Na época dos toca-discos, por exemplo, era comum ouvir depoimentos de músicos que comprometiam seus discos de vinil ao expô-los, exaustivamente, à agulha do tocador. Hoje em dia, existe uma grande quantidade de softwares capazes de auxiliar os estudantes de música na aplicação das Três Ações Básicas para aquisição de novas músicas ao seu repertório.

Em minha experiência como educador, utilizo um software gratuito disponível na internet que chamado Audacity. Ele faz gravação e edição de áudio. Costumo utilizá-lo para criar exercícios específicos na tentativa de auxiliar as tais três ações da prática musical. Assim sendo, eu:

1 – abro a pista de áudio no Audacity e seleciono apenas os trechos que eu e o aluno classificamos como mais difíceis;

2 – Isolamos cada trecho em um arquivo de áudio diferente;

3 – geramos uma click track – opção que o próprio programa fornece – para criar uma referência de início do trecho a ser estudado;

4 – depois com Crtl+C e Ctrl+V fazemos cópias do mesmo trecho 15 ou 20 vezes.

Ao extrairmos o áudio, o resultado é um exercício voltado para um trecho específico com uma contagem de início e uma grande quantidade de repetições, pra que o aluno não tenha que ficar ajustando seu player a cada vez que for repetir o trecho a ser estudado.

Ao utilizar um player de audio, o aluno tem a opção de controlar a velocidade de reprodução do áudio-exercício que criamos, dessa forma pode praticar em um andamento mais lento e, gradualmente, aumentar para o andamento original.

 

Creio que esta dica rápida possa despertar o interesse de professores e alunos para a possibilidade de associar o uso dos eletrônicos do nosso cotidiano às mais diversas práticas musicais.

Gabricci          Gabriela Ricci (Canto): 

O repertório é, sobretudo, a grande motivação da maioria dos alunos de música. É através dele que cada um se apaixona por essa atividade e é procurando por ele que se tornam estudantes dessa arte tão presente na vida de todos.

O momento em que músicas completas começarão a fazer parte do estudo depende primordialmente da didática do professor, mas o repertório deve estar presente em toda a trajetória de aulas de música, nem que seja de maneira lúdica ou parcial. É executando a música que o aluno vai ter, de fato, a prática musical. Vai descobrir suas dificuldades, seus pontos fortes, suas características musicais, que o tornam único diante de outros músicos.

O aluno deve se identificar com o repertório estudado em aula, seja escolhendo ele próprio as músicas que irá estudar, seja entrando em consenso com o professor. O aluno deve QUERER executar a música que ele estuda em aula! Dessa forma, as aulas serão mais agradáveis, proveitosas, e irão, com certeza, manter no aluno a paixão por aquilo que nos aproximou: a música.

Carol         Carol Leão (Piano, Canto):

Acredito muito na individualidade nossa. Por isso, não utilizo um método específico para todos os alunos nem utilizo somente um método para um aluno só, a liberdade em escolher diversas frentes para trabalhar deixa tanto o trabalho quanto o aluno menos ”engessado”. É importante para o aluno sentir que suas ”necessidades” frente ao que ele procura na música estão sendo cumpridas. Pelo fato de cada um buscar música por motivos diferentes, é importante criar e utilizar das formas mais criativas o som em aula, tanto no intuito de colaborar com o aprendizado do aluno como também exemplificar para o aluno que é possível criar música, criar exercícios e fazer som com pouquíssimo, bastando ter vontade e não ter medo de errar.

No que diz respeito a formação técnica e de repertório dos alunos, na maioria dos casos misturo peças, métodos de música popular e erudita. Acredito fortemente que as duas frentes (que para mim na verdade é tudo uma coisa só), quando unidas formam músicos melhores então, exercícios técnicos vindos de métodos eruditos e escalas. Passado o primeiro momento das primeiras ”formações” mecânicas que o aluno adquire, escolho peças eruditas, populares e lógico de ouvidos sempre abertos ao que o aluno gosta de ouvir, tentando mesclar isso. Também acredito na importância do professor tocar com o aluno. Procuro sempre criar exercícios em progressões de acordes ou escalas onde o aluno faz um acompanhamento no piano e eu improviso melodias (simples..não é necessário parecer um absurdo), em outros instrumentos como flauta, escaleta ou violoncelo, no intuito do aluno sentir prazer em fazer a atividade de forma coletiva (afinal, estudar um instrumento..em fase inicial pode ser muito solitário) e também de abrir os ouvidos, prestar atenção no outro som que existe colaborando com o som que ele produz.

 

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