MANTENDO O ALUNO MOTIVADO

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Nossa experiência como eternos aprendizes de música nos mostra que o processo de aprendizagem não acontece durante uma hora por semana, e sim constantemente, em horários totalmente variados e através de atividades distintas. Nós, professores, atentos a essa realidade, devemos considerar a continuidade do processo de aprendizagem dos alunos mesmo que o encontro seja periódico. Seja motivando a pratica e exploração, compartilhando ferramentas de gravação, audição e pesquisa ou interagindo virtualmente.

Abaixo, algumas práticas e reflexões dos mestres da Escola Pontuada:

Caio                         • Empatia na relação professor-aluno.

Caio Petrônio (Baixista e Mentor)

 

Acredito firmemente que dentro da prática pedagógica o fator mais importante para a manter a motivação de um aluno é o vínculo estabelecido com o professor. É preciso que o educador demonstre interesse e postura de empatia com relação ao aluno. Na minha opinião, isso vale para qualquer disciplina, no entanto, se estamos falando de arte-educação essa condição torna-se ainda mais presente.  

W.B. Yeats disse uma vez: “Educar não é encher um balde. É acender um fogo”. O que isso quer dizer? Quer dizer que nós não podemos enxergar o aluno como um recipiente oco. Precisamos é procurar e reconhecer a fagulha que já existe nele. Ou seja, sempre partir daquilo que o aluno já traz consigo. Como fazer isso sem empatia?

Vale notar, porém, que postura empática não significa fazer de tudo no intuito de agradar o aluno e poupá-lo de todos os possíveis dissabores. Isso seria ir na contramão do processo educativo! O mestre deve, sim, mostrar que se importa com o aluno e que está disposto a escutá-lo mas não pode esquecer que nessa caminhada é ele quem tem a bússola. Caso contrário corre-se o risco de descaraterizar por completo a relação professor-aluno e comprometer o processo de ensino-aprendizagem.”    

 

Raul                        • O processo de desenvolvimento vai além das aulas.

Raul Rodrigues (Baterista e diretor)

“Acho muito relevante frisar novamente a importância de olhar a prática educativa pelo ponto de vista do aprendiz. E aí vale relembrar quando estávamos aprendendo as primeiras notas. Lembrar também que ao passar dos meses nós, aprendizes, mudamos nossa postura nas aulas. Falo por mim: às vezes eu só encostava no instrumento durante as aulas, as vezes vivia o dia inteiro com o instrumento e a aula era apenas um momento de conforto. Tenho certeza que se meus professores não moldassem aquela 1 hora de aula em função dessas posturas, possivelmente eu não teria seguido essa carreira e, provavelmente, a Escola Pontuada não existiria.

Bom, olhando pelo ponto de vista do aluno, vou focar em um ponto: vemos que os alunos respeitam os professores como referências no assunto, e que, inconscientemente, relacionam o fazer musical com a personalidade de seus professores. Por isso vale refletir sobre sua animação, entusiasmo e concentração durante as aulas. Que chato fazer aulas com um professor de costas curvadas, bocejando, olhando o celular de tempo em tempo, ou mesmo um que fica reclamando da vida e da falta de tempo. Que bom ter aulas com alguém que está 100% presente no momento da aula, que vibra a cada conquista que tenho e que sofre a cada dificuldade. Deixo aqui uma animação bonita sobre empatia: https://www.youtube.com/watch?v=1Evwgu369Jw

Para finalizar, sugiro que se atentem a como a tecnologia pode nos ajudar a estarmos mais presentes no processo dos nossos alunos. É tão simples e poderoso, por exemplo,  gravar vídeos deles tocando para que se vejam ou para compartilhar na página da Pontuada, dependendo de qual for o motivador; ou manter o contato constante compartilhando referências e exercícios por facebook ou WhatsApp.

Questionar e aprimorar nossa prática é o mínimo de respeito que devemos ter com o sonho das pessoas de aprenderem música.”

 

 Osmar                        • Sinais de motivação.

Osmar Filho (Violão)

 

“Como professor de música nos deparamos, em algumas ocasiões, com alunos que perdem a motivação com o estudo do instrumento. E esse fato ocorre por vários motivos.

Observando alunos motivados concluí que eles se diferenciam em 3 pontos básicos quando comparados a alunos que perdem a motivação com o tempo.

  •      Alunos que mantêm a motivação tem em mente que eles são responsáveis pelo seu desenvolvimento e o professor é um facilitador para chegar ao seu objetivo em menos tempo. Não tiro a responsabilidade do professor em manter-se informado, preparar uma aula, observar as dificuldades e potencialidades de cada aluno, porém quando o aluno tem a consciência de que a responsabilidade pelo resultado final é dele os resultados aparecem em menos tempo e esses alunos mantém um contato constante com o instrumento. Nas crianças essa “responsabilidade” está inconsciente, mas a percebemos em comentários do tipo: “ Professor se eu não treino eu não consigo, se eu treino eu consigo.”
  •      Um segundo diferencial observado nos alunos motivados é que eles possuem metas (objetivos) a serem alcançadas. Isso se manifesta na vontade de tocar uma determinada música ou aprender algo técnico que observou algum músico fazendo. Cabe ao professor identificar essas metas e trabalhar com consciência para facilitar o aluno a atingi-las.
  •      E um terceiro ponto é que os alunos que mantém a motivação apresentam uma característica de que eles podem aprender qualquer coisa. Eles sabem que pode até demorar um pouco, mas aprenderão a tocar, ou a cantar, ou seja o que eles quiserem aprender eles irão aprender.

A partir do momento que identifiquei esses três pontos, passei a trabalhá-los em todos os alunos com o objetivo de manter a motivação sempre em alta. Claro que existem diferenças de aluno para aluno, mas os melhores resultados que obtive encontram-se com alunos que apresentam esses três pontos durante o seu aprendizado.”

 

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